A curiosidade, este demônio interior, certas vezes nos cobra um valor demasiado grande pela sua satisfação. Certa vez, ao caminhar por estas ruas tão conhecidas, senti-me atraído por um fedor jamais antes sentido. Uma emanação nauseabunda, entorpecente, cadavérica... Algo que torna extremamente difícil sua apreensão em meras palavras. Pois bem, em frente a uma casa bastante modesta percebo que esta mesma casa é a fonte de tamanha fedentina. Por fora muito sóbria: paredes externas cobertas por azulejos criativamente dispersos; um pequeno jardim devidamente cuidado, etc. Enfim, maiores descrições se fazem desnecessárias. Mas é aí que mora o paradoxo. Como poderia esta casa, externamente tão cuidada, ser a fonte de toda esta miséria? Não sei por quanto tempo passei ali parado, pensando nisso, sentindo o mau-cheiro. Algo de hipnótico talvez. Soa engraçado...
A curiosidade, este demônio interior, certas vezes nos cobra um valor demasiado grande pela sua satisfação. Certa vez, ao caminhar por estas ruas tão conhecidas, senti-me atraído por um fedor jamais antes sentido. Uma emanação nauseabunda, entorpecente, cadavérica... Algo que torna extremamente difícil sua apreensão em meras palavras. Pois bem, em frente a uma casa bastante modesta percebo que esta mesma casa é a fonte de tamanha fedentina. Por fora muito sóbria: paredes externas cobertas por azulejos criativamente dispersos; um pequeno jardim devidamente cuidado, etc. Enfim, maiores descrições se fazem desnecessárias. Mas é aí que mora o paradoxo. Como poderia esta casa, externamente tão cuidada, ser a fonte de toda esta miséria? Não sei por quanto tempo passei ali parado, pensando nisso, sentindo o mau-cheiro. Algo de hipnótico talvez. Soa engraçado...
Tomado por uma curiosidade proporcionalmente equivalente à pestilência do fedor, vou até o portão da casa, este que impossibilita qualquer visão em direção ao interior dela. Está entreaberto. É a minha chance – pensei naquele momento. Entrei bastante afoito, confesso. Logo no terraço, algo de grotesco parecia se desenrolar tranqüilamente no preguiçoso diluir do tempo. Uma mulher muito gorda, branca – com algo de róseo em pontos específicos –, de costas para mim, deitada nua com seus longos cabelos dourados esparramados, os seios volumosos arqueados, as pernas abertas, o máximo que seu corpo robusto permite, delicia-se em gemidos curtos, apressados.
Não consigo dissociar sua imagem a uma grande porca. Eis uma impressão sincera. Ela está ofegante em meio a um estranho clímax. Chego mais perto, sem tomar cuidado para não ser imediatamente percebido. Eu não podia pensar em outra coisa a não ser contemplar aquela cena grotesca. Arrependimentos ficam para depois quando o interesse é tamanho. Pois bem, no meio daquelas pernas um pequeno corpo parecia se esconder. Movimentava-se rápido. Era uma criança. Um menino pequeno, também loiro e caucasiano. Não era gordo (era estranho o fato de imaginar aquelas pernas se fechando e sufocando o menino). Estavam copulando ali no terraço. Sexo oral naquele momento. Num movimento repentino a cabeça daquela mulher se move descontrolada, o que me assusta a priori. O menino olha para mim. Um olhar de satisfação. Um sorriso dissimulado. Enterra novamente a face naquela genitália que parecia lhe engolir. Soa engraçado...
Prossigo rumo aos fundos da casa no intento de encontrar a origem exata desse cheiro pestilento. O acesso se dá através de um corredor não muito extenso. Algumas portas lacradas com tábuas fixadas com pregos, outras entreabertas. No primeiro quarto vejo dois homens sobre uma cama. Quarto abafado, miseravelmente iluminado. Aparentam ter por volta de cinqüenta... Face macilenta, bochechas profundas, um bigode cultivado. Calvos na parte superior da cabeça, nariz afilado. São gêmeos. Um deles encontra-se amarrado à cama, imóvel. Bastante escoriado, cortes por todo o corpo lhe faziam sangrar lentamente mas de forma contínua. Pude ver os ferimentos nas costas e braços. Seu irmão, por cima, segurava um instrumento que utilizava provavelmente para o espancamento. Um riso. Um golpe. Nenhum outro ruído a não ser um ranger da cama velha. Um grito desperta minha atenção. Um outro quarto. Abandono este quarto enquanto os dois irmãos prosseguem em sua relação incestuosa, afinal essa não é a fonte do fedor pungente que me tanto me surpreendeu.
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