domingo, 16 de janeiro de 2011

UM CAIXÃO ABERTO


A terra revirada no meio da noite,
Meu anomimato salvarguadado pela escuridão do cemitério modesto.
O cheiro da terra impregnado pelo odor da morte,
Um aroma mefítico vazando do caixão novo, recém-colocado
Para que a corrupção do corpo seja menos insuportável aos demais.
Minha satisfação em violar este luto,
Vilipendiando um corpo morto dentro da sua última clausura.

Um pedregulho para romper o lacre final,
Que separa o corpo dos vivos
A degeneração do cadáver de mulher
Em seus dias mais hediondos.
Os sórdidos contatos entre a degeneração física do defunto,
E minha degeneração mental, sádico envolvimento entre animais.
Morte e vida numa cópula doente,
Troca de fluidos, envolvo-me em secreções pestilentas
Miasmas e livores na carcaça que me serve de receptáculo.

Musculatura degenerada pelos processos naturais,
Rançosa lubrificação da cavidade vaginal,
Movimentos bruscos e uma penetração áspera.
Gazes pós-mortais ocupam os intestinos do ventre inchado,
Sodomia num orifício infestado por parasitas famintos,
A vida se esvai nesse coito deletério.

Splattered Cavity

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